O que você precisa saber sobre a cybercondria

Publicado por IDE Cursos em 8 de junho de 2018
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O que você precisa saber sobre a cybercondria

Você conhece alguém que costuma recorrer à internet sempre que tem dores físicas? Que pensa que se for ao médico será diagnosticado com múltiplas desordens psicológicas? Bem, saiba que esta pessoa pode ser vítima da cybercondria.

No Brasil, cerca de 76% da população possui o hábito da automedicação intuitiva, o que é propiciado pelas infinitas possibilidades da internet. Este é um preocupante índice, já que tal tipo de ação pode gerar, entre vários problemas, intoxicação e até mesmo o óbito.

Descubra agora, neste artigo, tudo o que você precisa saber sobre a cybercondria: um mal do século XXI.

O que é a cybercondria?

Cybercondria é a junção dos termos “cyber” (refere à tecnologia) + “chondria” (que significa desordem obsessiva). Trata-se de um tipo de comportamento em que a pessoa passa a tirar conclusões precipitadas e pouco embasadas relacionadas à saúde, a partir de buscas rápidas na internet.

É uma espécie de vício. Toda vez que a pessoa apresentar um tipo de dor, desconforto ou sensação estranha, realizará pesquisas em sites de busca para descobrir do que se trata, chegando até a se automedicar com base nas sugestões expostas em sites e blogs.

Existem vários casos que podem ilustrar este mal. Um deles é de uma senhora que desenvolveu anemia grave após mudar radicalmente sua alimentação, certa de que tinha intolerância ao glúten e à lactose (depois de ter procurado sintomas na internet).

Quais os malefícios?

Sem dúvida, a internet facilitou muito a vida das pessoas. O impacto da tecnologia na rotina dos profissionais de saúde também representou um grande avanço. Não muitas décadas atrás, as informações demoravam para circular de uma região para outra, gerando referências inconsistentes e grandes limitações na comunicação entre as pessoas. Apesar disto, o uso da rede deve ser feito com cautela. Recomenda-se informar aos pacientes que eles jamais podem substituir uma consulta com um profissional qualificado.

A cybercondria por si só não é uma doença, mas pode ser desencadeadora de hipocondria. Por isso, tal fenômeno tem preocupado profissionais. Como muitas pessoas acabam se julgando capazes de realizar um autodiagnóstico, passam a ver as consultas com profissionais da saúde como dispensáveis. A cybercondria pode originar vários problemas, como:

  • ansiedade;
  • efeitos colaterais;
  • efeito Google (tendência em reter menos informação porque a pessoa sabe que as respostas estão ao alcance de alguns cliques);
  • estresse;
  • hipocondria;
  • intoxicação;
  • piora do quadro clínico ou mascaramento de uma doença;
  • síndrome do pânico;
  • transtorno de dependência da internet.

Quais os desafios para os profissionais da saúde?

A cybercondria é um dos novos desafios para os profissionais da área da saúde. Como eles podem lidar com este problema? Como evitar a automedicação?

Para entender melhor a situação, é preciso saber como os usuários de internet se comportam. Os internautas costumam olhar apenas os primeiros resultados de uma pesquisa. Se um deles for um tumor cerebral, por exemplo, podem utilizar este resultado como um ponto de partida para outras buscas e intervenções. Logo, cria-se um ciclo vicioso: a internet passa a ser a solução mais rápida (e gratuita) para quaisquer dúvidas relacionadas à saúde.

Dessa maneira, a relação entre paciente e profissional pode sair prejudicada: quem vai ao consultório já chega com uma série de informações (geralmente, pouco confiáveis ou relativas), e se o médico não relatar exatamente o que o paciente leu, pode ser interpretado como “pouco confiável”.

Como combater a cybercondria?

É preciso combater este tipo de atitude, mas como? Campanhas públicas e alertas feitos pela própria comunidade médica aos pacientes devem ser constantes, pois o que serve para uma pessoa não necessariamente servirá como parâmetro para todas as outras.

Muitos profissionais se utilizam das redes sociais, como Facebook, para divulgar posts diversos sobre saúde. Apesar do intuito ser informar a população, às vezes as dicas acabam soando como soluções para os internautas. Logo, fica a dica: a presença digital deve ser apenas um complemento. Tome cuidado com o conteúdo publicado, ressaltando para os internautas que as informações divulgadas não devem substituir uma consulta médica. Sempre pesquisar a origem das informações.

Ainda, é primordial que o profissional da área (seja médico, psicólogo, fisioterapeuta, farmacêutico, etc) atue ativamente a favor da fiscalização de leis. Não prescrever remédios sistematicamente sem uma consulta prévia. Alertar sempre os riscos de determinadas medicações e o modo correto de utilização.

Existem outros desafios enfrentados por profissionais da saúde em relação à cybercondria:

Ansiedade

A internet disponibiliza inúmeros resultados de pesquisa. Quando alguém procura por um sintoma específico, várias possibilidades de enfermidades surgem na tela. Por isso, o indivíduo fica suscetível a desenvolver uma constante sensação de que está doente ou com algo dentro do seu corpo.

Até mesmo pequenas ações do cotidiano poderão desencadear a “lembrança” de que sua saúde não está boa, levando-o a acreditar que está com uma doença grave. A ansiedade está associada a diversos outros problemas, como taquicardia.

Automedicação

Se baseando em experiências de outras pessoas, ou devido a limitações financeiras, o indivíduo pode acreditar que sabe uma maneira de se curar. Alguns até abandonam qualquer medicação em busca de meios alternativos.

Porém cada pessoa tem um corpo, e cada corpo é um caso diferente. Sabe-se que existem muitos casos de intoxicação por automedicação, e até mesmo de surgimento de novas doenças originadas por uma medicação inadequada.

A automedicação começa a partir de usos banais, como uma aspirina para dor de cabeça ou um remédio para cólicas menstruais. No entanto, pode evoluir para situações mais graves, em que a pessoa procura, por conta própria, tratamentos à base de antibióticos ou antidepressivos. As consequências são diversas: reações alérgicas, gastrites, piora do quadro clínico, etc.

Logo, podemos perceber que a caminhada em direção à uma diminuição da automedicação exige muitas medidas. A primeira, e mais importante de todas, é a conscientização das pessoas sobre os riscos deste tipo de atitude. Como medida, é preciso a criação de campanhas publicitárias que passem por diversos espaços, inclusive nos próprios hospitais e postos de saúde.

A jornada em busca de uma diminuição da cybercondria deve envolver ainda uma nova relação entre paciente e farmacêutico. A farmácia precisa ser um espaço de auxílio para a sociedade, não um substituto de hospitais. Portanto, os profissionais do ramo devem alertar pacientes sobre os riscos de determinadas medicações antes que a venda seja concluída.

Além da cybercondria, outros distúrbios podem surgir com o uso excessivo de tecnologia. Dentre eles: náusea, síndrome do toque fantasma e depressão. Esse tipo de vício é um assunto preocupante que não pode ser ignorado. Então, os profissionais da saúde devem ficar atentos quanto a pacientes que se enquadram neste grupo. A internet ajuda, mas não é a solução. Especialistas devem deixar claro que remédios só devem ser tomados com prescrição ou avaliação médica.

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