O que é e como funciona a especialização em fonoaudiologia forense?

Publicado por IDE Cursos em 24 de agosto de 2018
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O que é e como funciona a especialização em fonoaudiologia forense?

A fonoaudiologia é uma profissão que oferece diversas especializações. Ela está regulamentada por meio da Lei nº 6.965 de 1981 e pelo Decreto nº 87.218 de 1982.  É possível atuar nas mais diversas áreas e assim, encaminhar o profissional para um trabalho com o qual tenha mais afinidade.

Entre essas especializações, podemos falar da fonoaudiologia forense. Com a utilização de interceptações telefônicas para o esclarecimento de crimes, a atuação do fonoaudiólogo é essencial.

Para atuar nessa área, o profissional pode fazer uma pós-graduação voltada para o ramo e aumentar seus conhecimentos. O fonoaudiólogo também conta com a ajuda de softwares avançados para fazer a análise da voz.

Vamos agora nos aprofundar no assunto e entender melhor a atuação da fonoaudiologia forense no mercado e como o profissional pode se tornar um especialista. Acompanhe!

O que é e como é o trabalho na fonoaudiologia forense?

Um dos atributos da fonoaudiologia forense é o de identificar quem são os falantes em uma determinada conversa, ou seja, de quem é cada voz. Ela envolve todas as áreas relacionadas com a comunicação, ou seja, não estamos falando apenas da voz, mas também da audição, linguagem oral, fala e escrita.

Para trabalhar na área, é importante ter uma especialização para aprender a trabalhar na esfera Jurídica. Nela, o profissional irá adquirir conhecimentos sobre acústica, Direito, fisiologia, anatomia, informática, psicoacústica, entre outros. O fonoaudiólogo aplica técnicas científicas e emite um laudo pericial para atestar a veracidade de sua análise no caso.

Além da área criminal, esse especialista também atua na área trabalhista. Especialmente na hora de atestar ou não o nexo de causalidade entre doença alegada e o labor exercido. Por exemplo, o professor faz uso da voz para passar os conhecimentos para os alunos, se essa função estiver comprometida, ele não será capaz de exercer o trabalho. Nesse caso, pede-se uma avaliação do fonoaudiólogo forense.

Como o profissional atua na área?

Para explicar melhor a atuação do fonoaudiólogo forense, vamos para um exemplo prático.

Uma gravação telefônica feita pela polícia mostra o famoso traficante, Fernandinho Beira Mar, mandando matar um estudante que, supostamente, estava envolvido emocionalmente com a namorada do traficante.

No início da investigação, a polícia tinha encontrado o suspeito errado, que estava preso. Só depois da perícia feita com a fonoaudióloga o traficante foi identificado. É impossível calcular os inúmeros benefícios que essa profissional proporcionou para a justiça e para a vida de cada um dos envolvidos.

Qual a importância desse profissional na área?

Além do caso mencionado acima, precisamos destacar também que, em alguns lugares, não há esse tipo de especialista para fazer a perícia. É comum encontrar profissionais como engenheiros, biólogos, físicos e outros sem qualquer relação com a área fazendo o trabalho. Isso só aumenta os riscos de erros, prejudicando a resolução do caso.

Como é feito o exame de comparação de locutores?

Esse exame é feito para identificar a voz em uma interceptação telefônica. Para iniciá-lo são necessários, no mínimo, dois materiais de áudio: alguma gravação de autoria desconhecida, ou seja, o material que está sendo questionado e outro contendo a voz que se deseja comparar. Esse tipo de material costuma ser coletado de maneira padrão.

A forma como o exame é feito vai depender muito de algumas características dos materiais. Por exemplo, eles precisam ter autenticidade, contemporaneidade, adequabilidade e quantidade. E, acima de tudo, é preciso que as amostras tenham qualidade técnica, ou então a análise ficará praticamente impossível, podendo ser facilmente questionada.

Depois de verificadas as características do material, chegou o momento do perito realizar a análise e verificar se nos materiais há o mesmo falante, se a voz é, de fato, compatível nas duas amostras. Por isso, ainda que o perito tenha grande experiência prática e teórica, o material precisa estar em condições adequadas.

Há, entre outras, duas etapas muito importantes no exame: a análise perceptual e a acústica. Vamos falar um pouco sobre cada uma delas devido à sua relevância:

Análise perceptual

Aqui, a principal ferramenta utilizada é a audição humana. Quando bem usada, é possível perceber características únicas da voz dos falantes. Por exemplo, a forma como os fonemas são articulados, entonação da voz, ritmo da fala, sotaques, estado emocional, idade, gírias, entre outras.

Análise acústica

É por meio dela que o profissional consegue quantificar algumas medidas da fala. É uma forma de complementar a análise perceptual e uma não deve ser realizada sem a outra.

Como surgiu a fonoaudiologia forense?

Podemos dizer que essa é uma ciência relativamente nova, em comparação às diversas outras do mesmo campo de estudo.

A fonoaudiologia em si só foi regulamentada em 1980. Com o passar dos anos, as autoridades jurídicas foram sentindo a necessidade de especialistas para elucidar alguns fatos. Entre esses profissionais surge a figura do fonoaudiólogo.

A perícia forense é essencial para a avaliação e produção de provas que ajudam a elucidar os casos criminosos, pegando o responsável. O laudo é um documento de grande importância já que pode ser responsável por arquivar um processo ou mesmo o suficiente para oferecer a denúncia.

Como se tornar um fonoaudiólogo forense?

O primeiro passo é fazer uma especialização na área. Você deve aliar os conhecimentos adquiridos durante a graduação aos que aprenderá no curso. É possível estudar algumas disciplinas como Perícias Grafotécnica, Auditiva, Vocal, além de outros conhecimentos, como noções de Direito.

Para ingressar no mercado há dois meios, basicamente. O primeiro deles é passando em um concurso público, como o da Polícia Federal ou Polícia Civil, na função de perito. Outro meio é quando uma determinada região não tem esse profissional especializado (situação mais comum) e durante o processo judicial. Ou mesmo durante a investigação da polícia, quando é necessária a nomeação de um profissional habilitado: o Perito Judicial.

Essa nomeação é feita pelo Juiz ou Delegado. Os mesmos podem indicar um assistente técnico para acompanhar o trabalho do Perito Judicial, atuando de forma imparcial. Como todos nós temos direito ao contraditório e à ampla defesa, podemos contratar os próprios assistentes.

Conseguiu perceber quão ampla é a área da fonoaudiologia forense? Para quem gosta de processos investigativos, é uma ótima forma de aliar aptidão com a prática. Além disso, é uma área que só tende a crescer, uma vez que as autoridades já conseguem perceber a importância desse profissional para a elucidação de diversos crimes.

Por conta disso, vale muito a pena se especializar para ter mais oportunidades no mercado. Além de estar mais bem preparado para exercer o seu trabalho, é um bom conhecimento para fazer concursos públicos e conquistar a estabilidade financeira.

Ainda está indeciso sobre fazer ou não uma pós-graduação em fonoaudiologia? Tire as suas principais dúvidas agora mesmo!