Entenda o papel do enfermeiro na oncologia

Publicado por IDE Cursos em 4 de maio de 2018
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Entenda o papel do enfermeiro na oncologia

Os tratamentos oncológicos têm crescido a cada dia e demandam profissionais com conhecimentos específicos. Escrevemos esse artigo para que você entenda qual é o papel do enfermeiro junto aos pacientes com câncer e a importância de sua atuação.

Por ser uma área bem peculiar, é importante que os profissionais tenham formação de especialistas e estejam sempre se atualizando, porque existem diversas dificuldades em lidar com pacientes que acabaram de receber o diagnóstico da doença.

A fragilidade emocional e a falta de aceitação são algumas delas. No entanto, o profissional bem preparado sabe como contornar as adversidades e oferecer um serviço de excelência.

Responsabilidades como mediador

Cabe ao enfermeiro clínico especialista em oncologia o cuidado integral, focado sempre no paciente em todas as fases do tratamento, desde o diagnóstico até o acompanhamento para a reabilitação.

Os conhecimentos técnicos precisam andar junto com a humanização e a empatia, pois o momento de fragilidade do outro precisa ser entendido e respeitado.

Apesar dos avanços no diagnóstico e tratamento do câncer, as consequências físicas, emocionais e sociais devem ter atenção especial, já que em um período de grandes mudanças é necessário um suporte adequado.

enfermeiro oncológico é o membro da equipe interdisciplinar que passa mais tempo com os pacientes e que, muitas vezes, é o primeiro a identificar efeitos indesejáveis e mudanças de humor.

Ele é a referência para o paciente, além de ser quem faz os primeiros relatos à equipe. Colabora com os colegas e com o médico para o diagnóstico das condições médicas, solicitações de exames, orientação e aplicação de procedimentos padrão. É um mediador entre equipe, paciente, familiares e médico que os atende.

Além do conhecimento técnico e do estreitamento das relações interpessoais, são necessárias ações educativas em relação à saúde, das quais é papel do enfermeiro transmitir e ensinar, para que essas ações possibilitem a redução do sofrimento de todos os envolvidos.

Suporte emocional consigo e com as famílias

Ter equilíbrio emocional é imprescindível, já que o paciente e a família passam por um momento delicado, no qual a morte é uma possibilidade e os tratamentos agressivos debilitam o corpo de forma avassaladora.

Entender que a irritabilidade, as grosserias e até os comportamentos agressivos fazem parte das reações aos procedimentos a que são submetidos é um primeiro passo.

Não se deixar abalar e nem ser tragado por sentimentos depressivos que essas pessoas possam transmitir é essencial para que a ajuda aconteça, pois, nesse momento, o profissional de enfermagem precisa ser um elo forte, se mostrando seguro em suas ações.

Use algumas técnicas de relaxamento simples, como respirar. Apenas 5 minutos por dia de inspirações e expirações podem ser muito benéficos. Basta desacelerar a respiração esvaziando o pulmão e, em seguida, inspirar pelo nariz contando até 4, expandindo a barriga. Termine expirando suavemente, contando até 6. Repita durante esses minutos.

Alongue os músculos para relaxar. Faça algumas pausas durante o trabalho para uma caminhada curta, mesmo que seja entre as salas, para que haja circulação nas pernas e espreguice-se, alongando e relaxando braços, costas, etc.

Se conseguir, medite todos os dias. Escolha um cantinho e esvazie os seus pensamentos, deixe a mente livre e leve, eliminando os problemas do dia a dia. Essa técnica pode ser feita junto com a respiração.

É importante controlar a ansiedade e interagir com o paciente, sempre dialogando e colocando-se disponível para escutá-lo. As sensações de medo e angústia que surgem são minimizadas quando há confiança na equipe e em seus cuidados.

Com essa atitude, além da aceitação da doença, haverá uma melhor resposta ao tratamento, possibilitando a reabilitação mais rápida.

Responsabilidades técnicas como papel do enfermeiro

Além da assistência ao paciente, o profissional é exigido para algumas providências administrativas e educacionais.

As competências do enfermeiro podem ser encontradas nas resoluções RDC 220/04 e COFEN 210/1998, que regulamentam a sua atuação na oncologia. Destacaremos algumas delas:

  • planejamento, organização, supervisão, execução e avaliação dos pacientes submetidos a tratamentos quimioterápicos antineoplásicos;
  • elaboração de protocolos terapêuticos para prevenção, tratamento e diminuição dos efeitos colaterais;
  • realização de consultas pré e pós tratamento;
  • administração de medicamentos quimioterápicos;
  • promoção de medidas de prevenção de riscos e agravos por meio da educação de pacientes e familiares;
  • participação na elaboração de programas de estágios, treinamentos e desenvolvimento de outros profissionais na área;
  • definição da aquisição de materiais e disposição da área física necessária para a assistência integral dos pacientes;
  • cumprimento de normas, regulamentos e legislações, assim como exigir com que todos as cumpram;
  • registro de informações e dados estatísticos, interpretando e otimizando a utilização dos indicadores de desempenho e qualidade;
  • formulação e implementação de manuais técnicos operacionais e educacionais para a equipe, pacientes e familiares;
  • atualização técnica para questões de biossegurança, seja individual, coletiva ou ambiental.

Importância da especialização

O início da formação de enfermeiros especialistas em oncologia se deu nos Estados Unidos, quando o câncer foi compreendido como uma patologia de crescente incidência e que exigia cuidados vitais peculiares.

Oncology Nursing Society (ONS) foi criada em 1975 e, aqui no Brasil, em 1984, após a criação da Sociedade Brasileira de Enfermagem Oncológica, iniciaram-se os primeiros cursos de especialização, com o apoio do INCA.

O papel do enfermeiro clínico especialista em oncologia é de liderança. Ele precisa tomar decisões e ter a prática clínica voltada para a resolução de problemas de forma qualificada.

especialização ultrapassa os conhecimentos do bacharelado, agregando atributos diferenciados que pedem maior qualificação e envolvimento com o campo de estudo de forma profunda.

Durante o curso, o aluno recebe as bases conceituais e recursos diagnósticos aplicados à oncologia, aprende a lidar com os vieses psicológicos de pacientes e familiares, com a oncologia cirúrgica, tipos de cânceres específicos, em mulheres e crianças, por exemplo, transplantes, ética e cuidados paliativos, entre outras disciplinas.

Aprende também os processos da aplicação da quimioterapia, avaliação da dor e como gerir uma unidade oncológica. Assim, os resultados podem ser vistos quando os pacientes atendidos por esses enfermeiros têm recuperação mais rápida e têm menos re-hospitalizações.

Para os hospitais e clínicas, eles agregam valor ao atendimento do paciente, geram ganhos em eficiência e trazem redução de custos. Evitam internações desnecessárias e reduzem a permanência hospitalar graças às habilidades decisórias e do conhecimento técnico-científico.

A satisfação dos pacientes é maior em relação ao tratamento, já que o cuidado é direcionado e acompanhado em todos os detalhes, junto com a orientação de cada passo a ser tomado desde o diagnóstico da doença.

Com isso, é estimulado o autocuidado, e o paciente segue protocolos que evitam que efeitos colaterais e outras doenças oportunistas se instalem por qualquer desatenção na forma de tomar seus medicamentos, fazer sua higiene, etc.

A confiança transmitida pela segurança do conhecimento adquirido também faz com que haja menos desistência nos tratamentos e maior adesão do paciente e familiares. Ao primeiro sintoma adverso, o enfermeiro pode tomar providências imediatas que são decisivas no processo de cura.

O mais importante, sem dúvida, é a qualidade do cuidado e a melhoria da qualidade de vida dos pacientes, mesmo aqueles que estão em fase terminal, por isso, a escolha de uma boa pós-graduação faz toda a diferença.

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