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Ambientes adaptados às pessoas é a proposta da Ergonomia21/03/2011

Ambientes adaptados às pessoas é a proposta da Ergonomia

A partir do avanço do trabalho informatizado (e dos danos causados pelos consequentes esforços repetitivos), ganha destaque a ergonomia, ciência que propõe a criação e a adaptação de projetos e ambientes adequados a cada contexto de trabalho. O especialista em ergonomia e avaliação da performance humana, mestrando em gestão da educação pela Universidade de Lisboa, Jorge Darley Paixão, comenta na entrevista abaixo, conceito, cenário, qualificação, bem como perspectivas de trabalho para a área no Brasil. Paixão também é coordenador pedagógico do curso de pós-graduação em Fonoaudiologia do Trabalho do Instituto de Desenvolvimento Educacional (IDE Cursos) e consultor de empresas. Leia!

O que é ergonomia e quais os objetivos dessa ciência?

Ergonomia é o estudo da adaptação do trabalho ou ambiente às características psicofisiológicas do ser humano, de forma a proporcionar-lhe o máximo de conforto, segurança e eficiência. Visa otimizar o bem estar humano e o desempenho global dos sistemas, sejam eles projetuais ou produtivos.

Quando surgiu e como chegou ao Brasil?

A ergonomia surge em 1857 com a publicação do artigo “Ensaios de ergonomia ou ciência do trabalho”, de Jastrezebowisky. Em 1949, um grupo de cientistas e pesquisadores reúnem-se e formalizam a ergonomia como novo ramo de aplicação de estudo interdisciplinar. Já em 1960, Itiro Iida, orientado por Sérgio P. Khel, apresenta a primeira tese brasileira em ergonomia. No mesmo ano, Alberto Mibielli apresenta o assunto aos alunos de medicina da UFRJ. Em 1983, ocorre a fundação da Associação Brasileira de Ergonomia (Abergo). No entanto, o evento mais significativo para nós ocorre ano que vem, em 2012, quando será realizado aqui no Brasil o primeiro congresso da Associação Internacional de Ergonomia (IEA, sigla em inglês) fora da Europa.

De que forma ocorre a implantação de um estudo ergonômico?

O estudo ergonômico pode ser implantado de duas formas: a primeira seria a chamada ergonomia de concepção (de caráter mais preventivo), que ocorre durante a fase inicial dos projetos voltados a postos de trabalhos, instrumentos, máquinas, sistemas de produção, organização do ambiente do trabalho, etc. É considerada de grande eficácia, com grande compensação na relação custo/benefício. Já a ergonomia de correção, é utilizada em postos de trabalho ou ambientes já existentes, neste caso analisando todo o contexto a partir da atividade que já está sendo executada. Nos dois casos, o usuário é o principal instrumento do estudo ergonômico.

A ergonomia é indicada para qualquer ambiente ou há restrições?

Como a ergonomia visa otimizar o conforto, a segurança e o bem estar das pessoas, ela não é só indicada, mas necessária em qualquer ambiente.

Quais profissionais podem ser capacitados para trabalhar a ergonomia?

Qualquer profissional de nível superior que atue direta ou indiretamente nos ambientes modificados pelo homem podem trabalhar a ergonomia, sejam atuando nas áreas de projetos de concepção, linhas de produção, saúde do trabalhador, prevenção, segurança, qualificação profissional, bem como na inclusão de pessoas portadoras de necessidades especiais, tanto no contexto do trabalho quanto no ambiente domiciliar.

Quais os benefícios a ergonomia agrega às pessoas e aos ambientes?

Contribui para o planejamento, a melhoria dos projetos e a otimização das
 tarefas, postos de trabalho, produtos, ambientes e sistemas, para torná-los compatíveis com as necessidades, habilidades e limitações das pessoas.

Quais os desafios e oportunidades para os profissionais que se especializam nessa área?

Realizar o correto dimensionamento dos ambientes, dos recursos técnicos (máquinas, equipamentos, ferramentas métodos e processos), afim de contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos indivíduos, seja nos ambientes de trabalho ou fora deles.


Existe mercado de trabalho para atuação profissional no Brasil?

Embora a ergonomia no Brasil ainda seja recente, o mercado de trabalho já é bastante promissor. Existem oportunidades de trabalhos para profissionais que pretendem atuar com a inclusão de pessoas deficientes nos postos de trabalho, envelhecimento populacional e, em especial, no nosso estado, com o crescimento do porto de Suape. Torna-se cada vez mais necessário o correto dimensionamento dos projetos, dos postos de trabalho, produtos, assim como dos ambientes domiciliares visando melhorar a qualidade de vida e trabalho, além de atender as necessidades das pessoas.

Em que uma pós-graduação nessa área agrega a formação do profissional?

Uma melhor qualificação profissional, através de subsídios conceituais e metodológicos com vistas a atender as mudanças tecnológicas e novas exigências e necessidades do mercado. Analisando o processo de aceleração do desenvolvimento pelo qual passa os setores industriais e de serviços em nosso país, com os processos de automação e informatização, ganha cada vez mais destaque a adequação ergonômica dos projetos, postos de trabalho, ambientes e sistemas de produção, que são necessidades imediatas. O futuro das organizações dependerá cada vez mais da capacidade dos profissionais nas resoluções dos problemas e, isto só será possível, caso o ambiente esteja ergonomicamente adequado.

O senhor é coordenador pedagógico da pós-graduação em Ergonomia do Ambiente Construído com Ênfase em Acessibilidade, proposta pelo IDE Cursos. Como o curso está estruturado?

Em grupos temáticos, proporcionando uma maior clareza acerca dos módulos a serem ministrados. A grade curricular foi elaborada com vistas a atender as necessidades tanto do mercado de ergonomia como das pessoas, a partir de corpo docente diferenciado, formado por profissionais da mais alta competência, visando proporcionar aos alunos uma pós-graduação de excelência.


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